Morreu neste domingo (27), aos 67 anos, o professor, escritor e especialista em língua portuguesa Filemon Félix de Moraes. Ele enfrentava um câncer no reto com metástase peritoneal, que evoluiu rapidamente, conforme informou o filho, Thiago Filemon.
Filemon foi um dos fundadores da Academia de Letras de Águas Lindas de Goiás (Aletras) e presidiu a entidade entre 7 de março de 2017 e 6 de março de 2021. Ele ocupava a Cadeira 33, cuja patronesse era a escritora Cora Coralina, e criou o slogan oficial da academia: “Propter Litterarum”, expressão em latim que significa “Em prol da literatura”.
A Aletras informou que o professor organizou e publicou coletâneas de poesias, poemas, contos e prosas de integrantes da entidade. Em 2019, participou do lançamento da obra impressa da escritora Maria do Carmo Manfredini, mãe do cantor Renato Russo. Ela publicou o conto “Um Cisco no Olho” na coletânea Toda a Prosa da ALETRAS - Volume 2. Em 2024, com incentivo de Filemon, Maria do Carmo voltou a publicar um conto sobre a trajetória da família Manfredini.
Carreira no ensino e na literatura
Nascido em Poconé (MT), em 23 de março de 1959, Filemon morava em Brasília havia 28 anos. Ao longo da carreira, preparou candidatos para concursos públicos e vestibulares, ministrou treinamentos para empresas privadas e órgãos públicos e atuou como instrutor da Escola de Administração Fazendária.
Antes de se dedicar ao ensino da língua portuguesa, foi militar e bancário. Também trabalhou como assessor de língua portuguesa do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), com treinamentos para membros e servidores. Segundo o MPDFT, ministrou cursos para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério da Defesa.
Filemon ainda foi professor e palestrante em eventos culturais e cursos universitários, comentarista esportivo e colunista de jornais e revistas. Com o curso “Português Fácil, Fácil!”, ajudou estudantes em provas de língua portuguesa, interpretação de textos e redação.
Além de 35 livros didáticos, publicou obras de poesia, contos, crônicas e parábolas. Entre os títulos estão O Sorriso dos Olhos de Thalita, de 2003; Azul Profundo, de 2007; Meias Verdades, de 2009; Cartas Fraternas, de 2010; Outros Lampejos, de 2013; Minhas Histórias Alheias, de 2015; e Certas Coisas Certas, de 2017.
A Academia de Língua Portuguesa lamentou a morte e lembrou a atuação de Filemon como educador e torcedor do Fluminense. A Escola Nova Aquarela, de Valparaíso de Goiás, destacou a contribuição dele para a formação de crianças e o incentivo à leitura desde a Educação Infantil.
O velório será realizado nesta segunda-feira (28), a partir das 13h, na Subprefeitura de Olhos D'Água. O sepultamento está previsto para as 16h do mesmo dia.








