A lei que criou Brasília completa 70 anos neste sábado. Sancionada pelo presidente Juscelino Kubitschek em 19 de setembro de 1956, ela determinou a transferência da capital federal, então instalada no Rio de Janeiro, para um Distrito Federal a ser construído no centro do país.
O texto também estabeleceu o nome da nova capital e criou a Nova Companhia Urbanizadora da Capital do Brasil (Novacap), empresa pública que continua ativa e atua na conservação e em obras espalhadas pelo Distrito Federal. O projeto colocou em prática, com 30 anos de atraso, uma determinação da Constituição Federal de 1946, que previa a mudança da capital para o planalto central do país.
Construção e inauguração
Depois da aprovação da lei pelo Congresso e da sanção presidencial, trabalhadores conhecidos como candangos seguiram de várias partes do Brasil para o Planalto Central. A construção da cidade foi realizada em quatro anos, até a inauguração, em 21 de abril de 1960.
Antes mesmo da abertura oficial, Brasília recebeu uma obra criada por Vinícius de Moraes e Tom Jobim. A “Brasília: Sinfonia da Alvorada” foi concebida como uma canção fundacional da nova capital.
A ideia surgiu a partir de uma conversa entre Oscar Niemeyer e Vinícius de Moraes. Desde 1958, o poeta planejava orquestrar uma música para a futura capital. A composição tomou forma em 1959, quando Vinícius e Tom visitaram Brasília e ficaram hospedados no Catetinho, primeira residência oficial de Juscelino Kubitschek, hoje mantida como museu da história da cidade.
Em um depoimento documentado, Vinícius descreveu a paisagem que encontrou durante os 10 dias em que permaneceu na cidade em construção: “A silhueta quase sobrenatural da cidade na linha extrema do horizonte, recortada contra auroras e poentes de indizível beleza”.
A sinfonia e outros clássicos
O poema sinfônico foi dividido em 5 atos: “O planalto deserto”, “O Homem”, “A chegada dos Candangos”, “O Trabalho e a Construção” e “Coral”. As partes abordam a geografia da região, a escolha do local, o Plano Piloto e o trabalho de construção da capital.
A apresentação planejada para a inauguração seria um espetáculo de “Som e Luz” na Praça dos Três Poderes, a pedido de Niemeyer. O lançamento acabou ocorrendo em LP em 1961. A obra só foi apresentada na praça em 1986, seis anos após a morte de Vinícius.
A passagem de Tom e Vinícius pelo Catetinho também é associada à criação de “Água de beber”, clássico da Bossa Nova. Relatos dizem que os músicos ouviram um barulho nos fundos da construção e perguntaram ao vigia sobre a origem do som. A resposta teria inspirado o título da canção.
O desenho do Plano Piloto foi escolhido em um concurso com mais de 26 projetos. Lúcio Costa pensou em uma cruz formada por dois eixos que se cruzam em ângulo reto. A importância arquitetônica e urbanística de Brasília levou a Unesco a conceder à cidade o título de Patrimônio Cultural da Humanidade em 1987.








