Joinville, Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Sul

Inca pesquisa novas estratégias para ampliar o cuidado contra o câncer

Instituto atua em estudos clínicos, epidemiologia e avaliação de tecnologias, com foco em evidências aplicáveis ao SUS.

Inca pesquisa novas estratégias para ampliar o cuidado contra o câncer
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) participa de pesquisas voltadas à melhoria do cuidado oncológico. A atuação inclui estudos clínicos, epidemiologia, avaliação de tecnologias e investigação de estratégias para o controle do câncer, além da formação de pesquisadores, produção de conhecimento e colaboração com instituições nacionais e internacionais.

Andreia Melo, chefe da divisão de Pesquisa Clínica e Desenvolvimento Tecnológico da Coordenação de Pesquisa e Inovação do órgão ligado ao Ministério da Saúde, afirma que a adoção de novas tecnologias deve ser acompanhada por evidências e por uma análise de aplicação no Sistema Único de Saúde.

Entre as abordagens em expansão na Oncologia estão a imunoterapia, que estimula ou modifica a resposta do sistema imunológico; as terapias-alvo, dirigidas a alterações moleculares específicas das células tumorais; os anticorpos conjugados, que levam substâncias terapêuticas até os tumores; e a Medicina de precisão, que combina informações clínicas, genéticas e moleculares para orientar o tratamento.

Segundo Andreia, essas alternativas não substituem automaticamente as terapias já estabelecidas. A incorporação depende das evidências científicas, das características da doença e das aprovações regulatórias.

Em agosto deste ano, Moderna e Merck anunciaram resultados positivos de um estudo de fase 3 com o intismeran autogene (mRNA-4157) combinado ao pembrolizumabe em pacientes com melanoma de alto risco após cirurgia. Os resultados indicaram desfechos favoráveis de sobrevida livre de recorrência e de metástases à distância. Os dados completos ainda serão apresentados em congresso de Oncologia e publicados posteriormente. O tratamento não tem aprovação regulatória ou comercialização.

Vacinas personalizadas e mRNA

O RNA mensageiro, conhecido como mRNA, ganhou destaque com as vacinas contra a Covid-19, mas sua utilização como ferramenta terapêutica é estudada há décadas. A molécula leva informações do DNA aos ribossomos, onde são produzidas proteínas. De acordo com Andreia, a experiência com as vacinas ajudou a acelerar outras aplicações, entre elas as vacinas terapêuticas contra o câncer.

No caso dos tumores, uma vacina personalizada pode ser desenvolvida a partir de alterações identificadas no próprio paciente. Essas alterações podem gerar proteínas ou fragmentos chamados neoantígenos, reconhecidos pelo sistema imunológico como possíveis alvos. A proposta é estimular uma resposta contra as células cancerígenas que apresentam essas características.

A médica ressalta que essas vacinas ainda estão em desenvolvimento para a maioria dos tipos de câncer. O mRNA amplia as possibilidades de tratamentos individualizados, mas não representa uma cura universal.

Dados sobre o câncer no Brasil

O Inca mantém uma base de informações epidemiológicas usada para orientar políticas públicas, planejar a assistência e identificar desigualdades regionais na prevenção, no diagnóstico e no tratamento.

A publicação “Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil” prevê aproximadamente 781 mil novos casos por ano no país durante o triênio. Sem os tumores de pele não melanoma, a estimativa fica em cerca de 518 mil casos anuais.

A distribuição dos tipos de câncer varia entre as regiões brasileiras. O câncer do colo do útero, por exemplo, permanece entre os tumores mais incidentes nas regiões Norte e Nordeste, conforme os dados do Inca. Para Andreia, é necessário ampliar a participação de diferentes regiões, fortalecer a infraestrutura de pesquisa e garantir que os resultados sejam aplicáveis à realidade do país.

O avanço do conhecimento sobre a biologia dos tumores, o sistema imunológico e as alterações genéticas associadas ao câncer tem permitido desenvolver tratamentos mais direcionados. O benefício dessas abordagens, porém, varia conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e as características de cada paciente.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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