Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
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Debate sobre identitarismo opõe inclusão, rigor acadêmico e representação

Professores discutem os efeitos das políticas de diversidade e o uso do termo identitarismo nas universidades e no debate público.

Debate sobre identitarismo opõe inclusão, rigor acadêmico e representação

O debate sobre políticas de diversidade nas universidades reúne críticas ao rigor acadêmico, defesa da inclusão e disputas sobre quem pode produzir conhecimento. O termo identitarismo, usado para definir pautas ligadas a raça, gênero, sexualidade e outros grupos, é rejeitado por professores que veem nele uma categoria acusatória ou um insulto político.

A discussão ganhou dimensão internacional após a morte de Jason Arday, professor negro da Universidade de Cambridge. Encontrado morto em sua residência em 14 de agosto, ele havia tido a carreira questionada por acusações de plágio e fraude feitas pelo professor norte-americano Nathan Cofnas. Em 2 de setembro, um editorial da revista científica Nature afirmou que o caso deveria provocar uma reação profunda. Políticos conservadores britânicos aproveitaram o episódio para questionar a política de diversidade da universidade, que em 2022 tinha 12,6% de professores não brancos.

No Brasil, a adoção de cotas raciais e de outras políticas inclusivas provocou reações de setores da sociedade. Também cresceram pesquisas sobre gênero, sexualidade e raça, além do uso de linguagem neutra e da ampliação da sigla LGBT para LGBTQIA+. Conceitos como colorismo, decolonialismo, lugar de fala, sexualidade fluida, transgênero e cisgênero passaram a aparecer em grupos de pesquisa, dissertações e teses.

Disputa sobre o termo

Maíra Kubick, professora do Departamento de Gênero e Feminismo da Ufba, afirma que identitarismo é usado para desqualificar reivindicações de negros, indígenas, quilombolas, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência e mulheres. Para ela, as experiências de gênero, raça, sexualidade e classe ajudam a revelar desigualdades sociais, e a internet 2.0 ampliou a circulação desses relatos e fortaleceu movimentos sociais.

Leandro Colling, especialista em estudos de gênero e sexualidade, prefere os termos maioria silenciosa e interseccionalidade. Ele considera um “equívoco brutal” usar identitarismo para classificar movimentos de extrema-direita e de esquerda. O professor também associa o crescimento da representatividade ao aumento do rigor acadêmico, por questionar perspectivas coloniais, eurocêntricas, misóginas, heterossexistas e cisgêneras.

O conceito, originalmente, foi usado por grupos xenófobos europeus após a Segunda Guerra Mundial, defensores de uma Europa branca e sem miscigenação ou integração a outras culturas. No debate atual, porém, passou a designar políticas voltadas a grupos específicos, embora seja recusado por muitos dos que defendem essas pautas.

Conflitos dentro e fora da universidade

Na Faculdade de Comunicação da Ufba, uma aluna trans acusou uma professora de transfobia após reclamar do tratamento recebido em sala de aula. O episódio chegou ao debate público. Em outra ocasião, durante uma confusão promovida por um deputado estadual de extrema-direita e seus assessores, a equipe do parlamentar fotografou portas de mictórios com sinalização inclusiva e retomou a chamada “pauta dos banheiros”.

O diretor da faculdade, Washington Souza Filho, afirmou que a sinalização, que também inclui piso tátil, foi instalada com recursos de emendas destinadas por Alice Portugal e João Roma.

O ator Wagner Moura criticou parte do movimento, enquanto o intelectual Antonio Risério publicou livros sobre o identitarismo e a esquerda identitária. Fernando Conceição, professor de jornalismo da Universidade Federal da Bahia e um dos pioneiros na defesa das cotas raciais no Brasil, considera o termo uma armadilha. Para ele, a luta por representação é legítima, mas pode desviar a atenção de questões econômicas mais amplas.

Conceição também critica o que identifica como declínio do rigor acadêmico nas universidades brasileiras, iniciado, em sua avaliação, nos anos 1970. Ele não relaciona esse fenômeno à diversificação dos acadêmicos e afirma que, nas ciências sociais e humanas, novos termos podem reapresentar questões antigas.

Maíra Kubick argumenta que as teorias feministas questionaram a ideia de neutralidade científica. Já Conceição aponta uma tendência autoritária e agressiva entre parte dos militantes identitários, que, segundo ele, classificariam como conservador ou de direita quem discorda de suas posições.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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