O CineConcerto da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) voltou à Concha Acústica e reforçou a vocação do projeto para aproximar diferentes públicos da música sinfônica. A apresentação também reacendeu a discussão sobre levar o espetáculo à Sala Principal do Teatro Castro Alves, mas a experiência mostrou que os dois espaços podem fazer parte da trajetória da atração.
Na Sala Principal, o público teria assentos mais confortáveis, acústica controlada e menos circulação. Na Concha, a estrutura envolve uma ladeira, deslocamentos na saída e a movimentação de milhares de pessoas. Ainda assim, a reação da plateia fez parte da proposta do CineConcerto: espectadores cantaram, riram, reconheceram melodias, comentaram filmes e anteciparam personagens.
Criado em 2013, o projeto foi pensado para formar novos públicos para a música de concerto. A presença de uma criança acompanhada da mãe durante a apresentação ilustrou esse objetivo. O menino identificava músicas, fazia perguntas, observava os figurinos e tentava descobrir a quais filmes pertenciam as obras executadas.
Cinema no palco
O repertório passou por produções como Harry Potter, Star Wars, O Poderoso Chefão, Indiana Jones, Cinema Paradiso, Matrix, Gladiador, Game of Thrones, Os Vingadores e Thriller. A apresentação não ficou restrita à execução das trilhas: Star Wars contou com a participação do Conselho Jedi Bahia, enquanto Thriller ganhou coreografia.
Os músicos também incorporaram personagens aos figurinos. Francisco Roa apareceu como Hannibal Lecter, Manno Góes vestiu-se de Darth Vader e Carlos Prazeres iniciou a regência caracterizado como Indiana Jones. Raphael Rossatto e Juliana Franco participaram como dubladores, aproximando as vozes conhecidas dos personagens dos artistas responsáveis por elas.
A programação ainda abriu espaço para referências brasileiras. Durante o tema de Os Vingadores, Gal Costa, Riachão e Jorge Amado foram apresentados como figuras heroicas da cultura da Bahia. O espetáculo também incluiu uma homenagem à Bahia Filmes e destacou a relação entre trilhas sonoras e memória cinematográfica.
Um espetáculo para circular
A discussão sobre a Sala Principal permanece ligada ao conforto, à acessibilidade e à possibilidade de uma escuta mais silenciosa. Porém, a participação do público na Concha mostrou que a interação não necessariamente representa desrespeito. Para o CineConcerto, reações espontâneas podem indicar a formação de plateia acontecendo durante a própria apresentação.
O Teatro Castro Alves é a casa da OSBA, mas a expansão do projeto para outros teatros, praças e palcos é apresentada como um caminho possível. A proposta é que o espetáculo também chegue a bairros onde uma orquestra sinfônica ainda pareça distante.
O CineConcerto ficou três anos longe do palco. Para Manno Góes, trata-se de “um espetáculo muito especial”. Carlos Prazeres, por sua vez, contou que espectadores passaram a declarar: “Eu amo a OSBA, eu amo essa orquestra”. A recepção na Concha sustenta a possibilidade de novas edições e de uma circulação maior pela Bahia.








