A mandíbula do adolescente Felipe Santos Firmino, de 14 anos, travou durante um bocejo no Distrito Federal. O jovem precisou passar pelo Hospital Regional do Paranoá e pelo Hospital de Base, na Asa Sul, até receber atendimento de um cirurgião bucomaxilofacial e ter a articulação recolocada no lugar.
Felipe estava em casa com a mãe depois de voltar mais cedo da escola. Segundo Matteus, ele se deitou no sofá e, ao bocejar, perdeu a capacidade de falar. A família procurou o Hospital Regional do Paranoá, onde o adolescente recebeu uma pulseira laranja, fez raio-x e tomografia, mas não havia especialista em cirurgia e traumatologia da boca, dos maxilares e da face.
Com o agravamento da dor, o hospital solicitou uma ambulância. Felipe foi levado ao Hospital de Base, que tinha um profissional da área. Após a manobra, ele voltou para casa com orientação de repouso por 5 dias.
Por que a mandíbula pode sair do lugar
O cirurgião bucomaxilofacial Rodrigo Fromer explica que o quadro é uma luxação da articulação temporomandibular, estrutura que conecta a mandíbula ao osso temporal do crânio. O problema ocorre quando o côndilo, a cabeça da mandíbula, ultrapassa o limite anatômico da articulação e fica preso fora da posição.
A predisposição pode estar relacionada a uma eminência articular mais rasa ou à frouxidão dos ligamentos que estabilizam a região. Movimentos que exigem a abertura máxima da boca, como o bocejo, também podem desencadear o deslocamento.
Antes de uma luxação completa, algumas pessoas têm episódios de subluxação. A mandíbula dá a impressão de que vai travar, mas retorna sozinha. “É a sensação de abertura, travamento, abertura e travamento, mas sem travamento completo”, afirma Fromer. A repetição desse sinal deve ser avaliada, de preferência, por um cirurgião bucomaxilofacial.
Atendimento e recuperação
A recomendação em caso de travamento é procurar atendimento médico imediatamente. De acordo com Fromer, a condição não é autorreduzível, e a própria pessoa não consegue recolocar a mandíbula no lugar. Quanto mais tempo ela permanece luxada, mais difícil pode ser a manobra, porque os ligamentos ficam distendidos e a musculatura pode se contrair.
Depois do procedimento, é esperado que permaneçam dor e dificuldade para mastigar por alguns dias. A luxação pode causar estiramento dos ligamentos, contração muscular e inflamação na articulação por uma ou duas semanas. Durante esse período, a orientação é consumir alimentos mais macios e evitar abrir muito a boca.
Felipe segue em recuperação em casa e já voltou às aulas, mas ainda sente dor ao comer alimentos mais duros. A família também relata que ele teve a sensação de que a mandíbula quase saiu novamente.
Após a primeira luxação, aumenta a possibilidade de novos episódios. Quando eles se tornam frequentes, pode haver indicação de cirurgia para corrigir alterações anatômicas. Fromer considera o quadro recidivante quando ocorrem três ou mais episódios ao longo de seis meses.








