Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Sul

Autonomia, vínculos e propósito marcam o envelhecimento ativo após os 70

Marilde Guedes e Lucia Weizenmann relatam rotinas com atividade física, voluntariado e participação comunitária; médica destaca autonomia e dignidade.

Autonomia, vínculos e propósito marcam o envelhecimento ativo após os 70
Foto: Ilustrativa/Magnific

Manter o corpo e a mente ativos, cultivar vínculos e encontrar propósito são aspectos associados a um envelhecimento com autonomia e qualidade de vida. A Organização Mundial da Saúde reconheceu o envelhecimento como prioridade global de saúde ao instituir a Década do Envelhecimento Saudável (2021–2030).

A professora Marilde Guedes, 70, mantém uma rotina que reúne pilates, caminhadas, tarefas de casa, participação na Academia Barreirense de Letras (ABL), atenção à família e convivência com amigos. Professora aposentada, ela ainda tem vínculos com a Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), é pós-doutora em Educação, escritora e preside a ABL.

Órfã de pai desde a infância, Marilde atribui à mãe, que era analfabeta e criou os filhos com trabalho duro, a formação de valores ligados aos estudos, à ética e à liderança comunitária. Antes de se formar no magistério, exerceu diferentes profissões. Depois, seguiu carreira na educação e ocupou funções que foram da sala de aula à direção da Uneb/Barreiras.

“Aprendi com minha mãe educação financeira, trabalhar com ética e valorizar o conhecimento”, afirmou. Casada há 52 anos com Jenivaldo Guedes dos Reis, ela conta com o apoio do companheiro para permanecer ativa. A leitura e a escrita são formas de cultivar sua vivência interior, já que relata dificuldade com terapias que exigem concentração, como meditação e ioga.

Entre suas preocupações está o receio de perder a cognição. Para Marilde, a educação é uma referência e contribuir com outras pessoas é uma dádiva que deve ser exercida sem buscar reconhecimento nem diminuir os demais.

Atividade física e participação comunitária

A paranaense Lucia Weizenmann, 70 anos, participa do grupo de ginástica do bairro e atua como voluntária em uma associação de portadores de parkisson. Também dedica tempo à horta, às flores, aos filhos, aos netos e aos amigos, além de usar a costura para criar peças com diferentes utilidades.

Ela defende que idosos, famílias e sociedade busquem autonomia e construam casas e cidades voltadas ao bem-estar de todas as idades. Viúva, Lucia considera importante preservar a autonomia física e financeira na medida do possível, mas também manter uma rede de apoio para compartilhar momentos difíceis e alegres.

“Nunca devemos ficar estagnados, só esperando o tempo passar”, ensinou. A aposentada também recomenda que as pessoas não percam o sono por problemas que não lhes dizem respeito e valorizem o descanso. Para ela, a paz interior, a reflexão antes das decisões e o apoio de pessoas próximas ajudam a evitar o desânimo e os pensamentos negativos.

Saúde além da ausência de doenças

A médica Adelle Nóbrega, especialista em medicina de família e comunidade e pós-graduada em Geriatria, afirma que a saúde envolve bem-estar físico, mental e social. No envelhecimento, uma doença crônica controlada não impede necessariamente uma boa qualidade de vida, enquanto o isolamento e a tristeza podem comprometer a vida de alguém sem diagnóstico de doença.

Segundo a médica, envelhecer bem depende da capacidade de manter autonomia, raciocínio, mobilidade, independência, dignidade e felicidade. A avaliação geriátrica considera função, cognição, humor, nutrição, medicações, rede de apoio e contexto social, observando a pessoa de forma ampla.

Adelle também defende o combate ao etarismo, que associa o envelhecimento a uma decadência inevitável. Ela relata atender pacientes com mais de 100 anos em boa condição de saúde, com raciocínio, memória, amizades e felicidade, enquanto pessoas mais jovens podem estar debilitadas e fragilizadas.

A médica aponta a necessidade de prevenção ao longo de toda a vida, com movimento físico regular, alimentação e hidratação adequadas, sono, estímulo cognitivo, vínculos afetivos e propósito. Também considera necessário valorizar a autonomia e a dignidade dos idosos, ouvi-los e incluí-los nas decisões.

Para Adelle, o envelhecimento saudável é uma construção coletiva, que envolve família, comunidade, profissionais de saúde e políticas públicas. Ela ainda recomenda buscar informações confiáveis sobre tratamentos seguros e evitar que a estética se sobreponha à saúde.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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