SÃO FRANCISCO DO CONDE — A Acelen Renováveis investiu cerca de U$ 1,5 bilhão na implantação de uma biorrefinaria nos arredores da Refinaria Mataripe, na Bahia. O projeto terá foco na produção de diesel verde e de combustível renovável de aviação, conhecido como Saf, com previsão de inauguração para o primeiro semestre de 2029.
A unidade deverá alcançar capacidade de até um bilhão de litros de diesel verde. Para garantir o fornecimento da matéria-prima, a Acelen iniciou o plantio de macaúba em 144 mil hectares. A iniciativa inclui parceria direta com pequenos agricultores e a expectativa de geração de cerca de 85 mil empregos.
Durante visita ao Grupo A TARDE, Marcelo Lyra, vice-presidente de Relações Institucionais, Comunicação, ESG e Desenvolvimento Territorial da Acelen, apresentou o projeto e falou sobre o momento da empresa. Ele estava acompanhado de Gustavo Porto, coordenador de Eventos e Patrocínios, e Daiane Neves, coordenadora de Comunicação Externa.
“É um investimento significativo de U$ 4 bilhões na produção de um bilhão de litros de diesel verde ou combustível renovável de aviação”, afirmou Marcelo Lyra. De acordo com o executivo, a biorrefinaria já começou a ser implantada ao lado da Refinaria Mataripe.
Petróleo, combustíveis e Polo de Camaçari
Lyra também comentou os efeitos do conflito entre Irã e Estados Unidos sobre a cotação do petróleo e os preços dos combustíveis para os consumidores da Bahia. Segundo ele, a guerra funciona como um elemento de instabilidade no mercado de petróleo e derivados.
O vice-presidente destacou a atuação do governo federal, que concedeu subvenções para reduzir o impacto direto sobre os consumidores. A Acelen aderiu à medida, embora tenha continuado a sentir efeitos das oscilações nos preços do petróleo.
Sobre a crise da Braskem, que está em recuperação judicial, Lyra citou o potencial de expansão do Polo Industrial de Camaçari para diferentes setores econômicos. Ele defendeu a combinação de esforços entre a iniciativa privada e os governos estadual e federal para criar condições para o desenvolvimento do polo.
Refinaria Mataripe
Vendida em 2021, a Refinaria Mataripe é alvo de especulações sobre uma possível recompra pela Petrobras. Marcelo Lyra afirmou que o tema está restrito ao Fundo Mubadala e à estatal, sem confirmação de qualquer movimentação.
A Acelen informa ter investido R$ 4 bilhões na melhoria das condições operacionais da refinaria. A empresa é administrada pelo Mubadala Capital.
Com cinco anos de existência, a Acelen foi criada a partir da compra da Refinaria Landulpho Alves, conhecida como Rlam. Nesse período, a companhia afirma ter aumentado a produção diária de barris, reduzido o consumo de energia, diminuído as emissões do flare e cortado a geração de resíduos.
A empresa também mantém ações sociais nas comunidades próximas à unidade, com capacitação e diálogo. O investimento nessa frente chegou a quase R$ 35 milhões.
A Refinaria Mataripe conta com 679 km de oleodutos que ligam a unidade a terminais portuários e terrestres. Segundo os dados apresentados pela empresa, a operação representa 10% do PIB estadual e 16% do ICMS da Bahia, com investimento médio anual de US$ 200MM.
A produção, que era de 205 mil barris/dia quando a Acelen assumiu a refinaria, está atualmente em torno de 280 mil a 290 mil barris/dia. A companhia também afirma ter reduzido em 93% a quantidade de resíduos e conquistado o selo prata em uma premiação de resíduo zero.








