O Conselho Deliberativo do São Paulo começa a votar nesta terça-feira o contrato com a Ticketmaster, nova gestora de ingressos do Morumbis. A diretoria considera o acordo uma solução de curto prazo para problemas financeiros, principalmente por causa dos valores que podem entrar no caixa do clube.
A proposta prevê uma antecipação de R$ 110 milhões, com pagamento em até 45 dias após a aprovação. O valor funcionará como um empréstimo e será devolvido à empresa em cinco anos, com juros vinculados ao CDI mais 1,99%. A quitação ocorrerá a partir das receitas de jogos no Morumbis, com limite de R$ 1,8 milhão por mês.
O contrato também estabelece que a Ticketmaster pagará R$ 30 milhões logo após a assinatura para administrar o camarote 29A durante cinco anos, em shows e jogos. Caso o Conselho aprove o acordo na votação, que termina às 17h de quarta-feira, o São Paulo poderá receber R$ 140 milhões em até 45 dias.
Relação com os pagamentos ao elenco
Nas últimas semanas, o clube relacionou publicamente a aprovação do contrato à quitação de dívidas com o elenco. No início deste mês, ao comunicar o atraso nos salários dos jogadores, o São Paulo atribuiu a situação à demora na análise do tema pelo Conselho Deliberativo.
O clube afirmou: “O contrato foi aprovado no dia 19 pelo Conselho de Administração e está desde o dia 27 com o presidente do Conselho Deliberativo”. Dias antes, a diretoria havia descumprido o compromisso de quitar direitos de imagem atrasados até o fim de agosto. O pagamento foi condicionado à aprovação do acordo e recebeu como novo prazo o fim deste mês.
Ingressos e sócio-torcedor
O São Paulo abriu uma licitação para escolher a nova gestora de ingressos. A Ticketmaster foi escolhida por apresentar valores considerados mais vantajosos no processo. Além dos R$ 30 milhões pelo camarote 29A e dos R$ 110 milhões de antecipação, a empresa administrará a venda de entradas e o serviço de sócio-torcedor.
A taxa de administração poderá chegar a 10% por ingresso, ou 8% quando a entrada for física. Para o sócio-torcedor, a cobrança será de 8% por associado. Atualmente, o serviço é administrado pela Feng. O clube avalia que concentrar as duas operações em uma empresa pode reduzir os custos.
Análise da comissão
A comissão criada para analisar o contrato foi motivada por uma denúncia da NewC, empresa que também pretendia assumir a gestão de ingressos. A avaliação durou quase 20 dias e consultou Harry Massis, Sérgio Pimenta, diretor financeiro, e André Marques, diretor de marketing e responsável pela negociação.
O parecer foi favorável ao acordo com a Ticketmaster, mas registrou ressalvas sobre a condução do processo. Na comparação final, a empresa ofereceu aproximadamente R$ 110 milhões de antecipação, contra cerca de R$ 90 milhões inicialmente apresentados pela NewC. Pelo camarote corporativo, foram aproximadamente R$ 30 milhões, diante de cerca de R$ 13 milhões da concorrente.
O documento apontou inconsistências na documentação, falta de uniformidade na entrada dos participantes, mudanças de parâmetros e dificuldades para reconstruir integralmente os critérios usados na definição dos finalistas. Para a comissão, essas falhas impedem considerar o procedimento plenamente regular e isonômico, mas não foram encontrados elementos suficientes para caracterizar direcionamento ou favorecimento deliberado.
A conclusão foi de que as ressalvas não afastam a avaliação de que a proposta da Ticketmaster foi econômica e tecnicamente mais vantajosa entre as opções efetivamente comparadas.








