O acordo vinculante assinado em junho permite que Gabriel de Alba, responsável pela GDA Luma, atue como investidor da SAF Botafogo antes da conclusão da transferência de 90% das ações. A definição sobre como essa operação será realizada ainda está em discussão entre os advogados do clube e da GDA.
O processo começou em julho, depois que o Botafogo Social acionou o bônus de subscrição previsto no acordo de acionistas. Com a medida, o associativo passou a deter 51% das ações, enquanto a Eagle ficou com 49%.
Modelos em discussão
A alternativa considerada inicialmente é o direito de drag along. Nesse formato, o acionista majoritário pode obrigar os minoritários a vender suas ações para um comprador definido. O Botafogo venderia sua participação à GDA, e a Eagle Bidco, administrada pela Cork Gully, teria de fazer o mesmo. O preço seria simbólico em razão da dívida bilionária da SAF.
Também está em avaliação um aumento de capital. O mecanismo prevê um novo aporte na empresa e a emissão de ações proporcionais ao valor investido. Com isso, o investidor pode ampliar sua participação e eventualmente assumir o controle da companhia. Essa seria a possibilidade para Gabriel de Alba na SAF Botafogo.
A escolha entre os dois modelos explica por que as ações ainda não estão sob controle da GDA. Existe ainda a possibilidade de o contrato de compra e venda ser submetido à votação de sócios e conselheiros, mas não há decisão sobre isso.
As partes também preparam uma nova versão do acordo de acionistas. O documento atual tem 149 páginas e foi elaborado na venda da SAF para John Textor, em março de 2022. O texto foi assinado por Textor, pelo então presidente Durcesio Mello e pelo então CEO Thairo Arruda.
Investimentos e transição
A transferência se estende há meses, mas o prazo é tratado com normalidade. Gabriel de Alba visitou o Brasil em agosto, esteve nas instalações da SAF, no estádio Nilton Santos, e acompanhou um jogo de eliminação da Sul-Americana. Em 19 de agosto, afirmou: “Queremos fazer do Botafogo o time vencedor que a torcida merece.”
A proposta da GDA é de US$ 105 milhões, além da assunção integral da dívida da SAF, estimada em quase R$ 3 bilhões. Até setembro, Gabriel de Alba havia investido cerca de 50 milhões de dólares, aproximadamente R$ 255 milhões.
Desse total, 25 milhões de dólares foram destinados ao empréstimo para pagar o transfer ban do Almada. Outros 14,5 milhões de dólares foram depositados em julho, seguidos por mais 10,5 milhões de dólares. O empresário mexicano deve retornar ao Brasil entre a última semana de setembro e o início de outubro. Há previsão de novo aporte até dezembro.
João Paulo Magalhães Lins, presidente do Botafogo associativo, conduz o período de transição e é o principal elo com Gabriel de Alba. Ele convenceu o empresário a deixar a condição de credor da dívida obtida no início do ano, ainda com John Textor, para assumir a SAF.
Eduardo Iglesias, diretor-geral da SAF, foi nomeado em 14 de maio, após uma Assembleia Geral Extraordinária. Estêvão Benincá preside o Conselho de Administração da SAF desde 2 de agosto, quando uma AGE destituiu Textor do último cargo que ocupava.
A estrutura atual reúne três funções centrais: investidor, diretor-geral e presidente do Conselho de Administração. Durante parte do período anterior, John Textor acumulou os três postos. O planejamento para a nova gestão é manter as funções distribuídas entre pessoas diferentes. Iglesias é apontado como provável diretor-geral mesmo após a assunção oficial da GDA.








