BRASÍLIA — O Corinthians propôs à Caixa Econômica Federal a quitação da dívida pela construção da Neo Química Arena em troca dos naming rights do estádio. A proposta deve ser discutida pelo Conselho Diretor do banco estatal em reunião nesta terça-feira.
A dívida com a Caixa está na casa dos R$ 630 milhões, enquanto o endividamento total do clube chega a R$ 2,8 bilhões. Na semana passada, o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, o diretor jurídico Pedro Soares e o diretor cultural Rafael Castilho se reuniram com representantes do banco, em Brasília. Os dirigentes saíram otimistas com a possibilidade de acordo.
Proposta envolve operação financeira
O clube quer que a Caixa assuma o nome do estádio, atualmente vinculado à Hypera Pharma. A diretoria corintiana calcula que os naming rights valem cerca de R$ 70 milhões por temporada. O contrato atual prevê pagamentos anuais de R$ 15 milhões, corrigidos pela inflação, desde 2020.
O projeto também inclui o lançamento de títulos de capitalização, a transferência das contas e do pagamento de salários do Corinthians para a Caixa e a criação de cartões para o programa Fiel Torcedor.
Com o valor dos direitos de nome definido entre as partes, o Corinthians considera possível quitar a dívida, permitindo que a Caixa explore comercialmente o nome da arena por determinado período.
Na mesma reunião, os dirigentes pediram a devolução de R$ 27 milhões mantidos em uma conta reserva prevista no contrato de renegociação assinado em 2022. Como o clube está adimplente com as parcelas, pretende usar o dinheiro na operação do dia a dia.
A Caixa afirmou: “A Caixa não se manifesta sobre operações bancárias específicas e eventuais negociações, em obediência ao sigilo bancário previsto na Lei Complementar 105/2001.”
Se o acordo avançar, o Corinthians planeja oferecer à Hypera Pharma os naming rights de outras instalações, como o CT Joaquim Grava.
Prazo da dívida e cenário político
O contrato de renegociação, firmado na gestão do ex-presidente Duilio Monteiro Alves, estabelece dezembro de 2041 como prazo para o pagamento. As amortizações crescem a partir de 2025, e os juros são pagos desde 2023, à taxa de 2% ao ano acrescida da variação do CDI.
Stabile afirma que a dívida da Arena é o principal motivador da crise financeira do clube. A negociação ocorre no ano em que o Corinthians terá eleições para a presidência e o Conselho Deliberativo em 28 de novembro. O presidente tentará se candidatar à reeleição.
O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, havia sugerido publicamente, no ano passado, que o Corinthians deixasse de pagar a dívida com a Caixa para priorizar outras pendências. Depois da declaração, o banco admitiu uma renegociação.








