NIQUELÂNDIA — O padre Cornélio José dos Santos ficou ilhado após celebrar uma missa na capela do Vão Meloso, comunidade rural de Niquelândia. A chuva do último sábado (5/9) formou uma tromba d’água com 1,80m de profundidade e aproximadamente 18 metros de largura, impedindo a passagem por cerca de uma hora e meia.
O Vão Meloso fica no extremo norte do município, a 103 km da cidade, e reúne 15 famílias que participam das atividades conduzidas pelo padre. Para chegar à capela, alguns moradores percorrem até 7km a cavalo.
A chuva durou cerca de 25 minutos. Embora tivesse uma caminhonete com tração, Cornélio decidiu não atravessar a correnteza naquele momento. Ele conseguiu seguir viagem quando a força da água diminuiu, com a ajuda de um morador que conhecia melhor a região.
Mesmo com a roupa molhada, o padre ainda foi celebrar uma missa em outro local. Ele chegou em casa às 22h.
“Minha missão não termina quando a multidão de romeiros deixa o Santuário”, afirmou Cornélio.
Atuação além do santuário
Cornélio é reitor do Santuário Diocesano de Nossa Senhora da Abadia do Muquém. Além das atividades da Romaria do Muquém, ele acompanha sete comunidades rurais e a comunidade do povoado do Muquém.
Para o padre, o trabalho exige percorrer serras, vales, estradas de terra, pedras, poeira, lama e ribeirões até alcançar comunidades em regiões quase isoladas. “Onde houver uma comunidade esperando, uma família rezando e um coração desejando encontrar-se com Deus, haverá sempre uma estrada que vale a pena percorrer”, disse.
Poucos dias antes da missa no Vão Meloso, Cornélio havia participado da Romaria do Muquém, que registrou recorde de público em 2026. Estudos encomendados pela própria igreja estimam que aproximadamente 1 milhão de pessoas passaram por Niquelândia para participar do evento, número 117% maior que o fluxo de fiéis contabilizado na edição de 2025.








