SÃO PAULO — A montanha-russa Montezum, do parque Hopi Hari, acumula registros de incidentes envolvendo visitantes. O caso mais recente é o de Júlia Bossoni, de 28 anos, que sofreu um traumatismo cranioencefálico (TCE), teve sequelas físicas e neurológicas e permaneceu 57 dias internada.
A atração foi inaugurada em 1999 e tem cerca de 42 metros de altura e 1.030 de extensão. Segundo as informações sobre o brinquedo, a velocidade pode chegar a 103 km/h, enquanto o passeio dura 58 segundos.
Casos anteriores
Em 2018, a professora Nathalia Assenjo Motta sofreu um trauma após andar na Montezum. Ela relatou que o pescoço fez um movimento de chicote durante uma curva e que perdeu a consciência. O deslocamento das vértebras exigiu a colocação de 12 pinos e duas hastes na região cervical.
Nathalia recuperou os movimentos do corpo três dias depois do procedimento, mas perdeu a mobilidade do pescoço. O Hopi Hari pagou uma indenização por danos materiais.
Outro caso ocorreu em 2014, quando um entregador por aplicativo identificado como Márcio ficou tetraplégico após andar no brinquedo. Ele morreu em 2023 por complicações decorrentes de uma infecção urinária.
O advogado João Erhardt afirmou que o laudo apontou o movimento de chicote como responsável pelo problema neurológico que levou à tetraplegia: “Houve de fato o rompimento de duas vértebras, mas o problema neurológico que desenvolveu a tetraplegia, conforme consta do laudo, foi o movimento de chicote”.
Também foram encontrados ao menos 40 registros, feitos nos últimos dois anos em uma plataforma de avaliação de consumidores, de pessoas que afirmam ter sofrido lesões na Montezum. Os relatos mencionam dores no pescoço, problemas no joelho e costelas quebradas.
Caso de Júlia
Júlia visitou o Hopi Hari com o namorado, João Pedro, em abril deste ano. O casal andou duas vezes na Montezum. Na segunda volta, quando o carrinho retornou à plataforma, ela estava desacordada e convulsionando.
A jovem foi levada à Santa Casa de Vinhedo e encaminhada à Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Exames identificaram hemorragia intracraniana e edema cerebral. Ela passou por um procedimento para reduzir a pressão no cérebro.
De acordo com a família, Júlia perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo, teve problemas de memória e dificuldades na fala. Um laudo médico indicou que a lesão pode ter relação com movimentos bruscos de aceleração, desaceleração e rotação da cabeça durante o passeio.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma investigação e solicitou uma perícia na montanha-russa. O procedimento ainda está em andamento.
O Hopi Hari informou que a Montezum tem certificação internacional, passa por inspeções anuais e segue as normas nacionais de segurança para parques de diversões. O parque também disse que mantém placas e avisos sonoros sobre os riscos da atração, classificada como radical. Sobre Júlia, afirmou ter prestado atendimento imediato, acompanhado a internação e custeado as despesas médicas.







