Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro registram a preocupação do então controlador do Banco Master com a possível divulgação de um jantar com Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. As conversas não comprovam que o encontro tenha ocorrido.
Em 8 de dezembro, o empresário Flávio Carneiro perguntou a Vorcaro se ele participaria de um jantar com o senador e o ex-presidente. Na sequência, Carneiro explicou que Thiago e Léo tentavam aproximar Vorcaro dos dois para uma conversa.
Inicialmente, Vorcaro demonstrou não saber a quem o empresário se referia. Pouco menos de 10 minutos depois, respondeu que os dois precisavam conversar antes. No dia seguinte, voltou ao assunto e pediu que Carneiro mantivesse a articulação em reserva: “Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”.
Carneiro respondeu “fala cumpadre [sic]”. Depois, Vorcaro afirmou: “Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”. A expressão “reunião bolso” aparece na conversa como referência ao possível encontro.
O que as mensagens indicam
Fontes da Polícia Federal familiarizadas com a investigação identificaram o “xará” mencionado por Carneiro como Flávio Bolsonaro e o “pai dele” como Jair Bolsonaro. Naquele período, o ex-presidente era alvo de investigações relacionadas à tentativa de golpe após as eleições de 2022 e ainda não estava preso.
O “Thiago” citado nas mensagens seria o publicitário Thiago Miranda, dono da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi, e ex-sócio do Portal Léo Dias.
Em 18 de dezembro, dez dias após a primeira conversa sobre o possível jantar, Miranda voltou a procurar Vorcaro. Ele encaminhou mensagens com informações sobre um “contrato de financiamento de produção”. Os diálogos registram as tratativas e o pedido de sigilo, mas não permitem concluir se a reunião foi realizada.








