DISTRITO FEDERAL — A Vigilância Sanitária do Distrito Federal interditou 125 estabelecimentos de estética desde o início de 2026. O número, que inclui salões e clínicas, é o maior já registrado pelo órgão no DF.
No ano passado, 155 espaços foram fechados por irregularidades. Em 2024, foram registradas 18 interdições. A Vigilância Sanitária informa que, no período, o total aumentou 594%. Até agosto deste ano, a Ouvidoria do GDF recebeu 144 denúncias relacionadas ao setor.
A fiscalização ganhou atenção após a morte de uma professora de 50 anos, no último dia 5. Ela recebeu uma aplicação de complexo vitamínico em um salão de beleza de Ceilândia, onde o procedimento era oferecido com a promessa de tratar queda de cabelo.
Valéria Rodrigues de Sousa da Silva, responsável pela aplicação, havia se apresentado à família da vítima como biomédica, mas não tinha registro profissional. O salão também não possuía licença sanitária nem cadastro na Vigilância Sanitária.
A diretora da Vigilância Sanitária do DF, Márcia Olivé, afirmou que procedimentos com agulhas e substâncias injetáveis precisam ser realizados em estabelecimentos de alto risco, classificados como serviços de saúde e submetidos à vistoria prévia. Durante a inspeção, são avaliados documentos, habilitação dos profissionais, projeto básico de arquitetura, processos de trabalho e normas de biossegurança.
O órgão alerta que salões de beleza não podem fazer procedimentos invasivos com agulhas nem aplicar substâncias injetáveis.
Investigação policial
O delegado Petter Ranquetat, da 23ª DP (P Sul), disse que a Polícia Civil investiga possíveis crimes de exercício irregular da medicina e homicídio. A classificação do homicídio poderá ser culposa ou dolosa, conforme o avanço da apuração.
Os policiais recolheram os frascos do produto usado na aplicação. O material será analisado, enquanto a polícia aguarda laudos do Instituto Médico-Legal e do Instituto de Criminalística para esclarecer a causa da morte e as circunstâncias do procedimento.







