SOROCABA — A Polícia Civil não localizou Milton Leite durante as buscas realizadas nesta sexta-feira, 18, para cumprir a prisão do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. O político é considerado foragido desde o início da Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira, 17.
Os agentes foram a um imóvel relacionado a um assessor de Milton Leite depois de receberem a informação de que ele poderia estar no endereço. O delegado responsável pelo caso afirmou que o ex-vereador não estava no local. As equipes continuam nas ruas em tentativa de encontrá-lo, mas a polícia ainda não informou outro endereço associado ao político.
Durante a ação, foram apreendidos R$ 287 mil e US$ 89 mil. De acordo com a polícia, o valor em dólares equivale a aproximadamente R$ 744 mil.
Na quinta-feira, 17, Milton Leite negou que estivesse fugindo e declarou, em nota, que estava viajando. Ele também afirmou que pretendia se apresentar às autoridades em até 24 horas. “Vou provar minha inocência em todas as acusações”, pontuou.
Investigação sobre o transporte coletivo
A Operação Vectura Corrupta investiga uma possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de São Paulo. A ação é uma nova etapa da Operação Decúrio, iniciada em agosto de 2024.
Na investigação anterior, foi identificada uma estrutura atribuída ao PCC para manter a comunicação entre integrantes dentro e fora dos presídios, inclusive com a participação de advogados. As apurações também mencionaram as chamadas “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”, além de uma possível tentativa de influência nas eleições municipais de 2024 por meio do lançamento de candidatos.
Nesta fase, os investigadores voltaram a apontar suspeitas envolvendo advogados e possíveis relações do grupo com empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior de São Paulo.
A operação teve como alvos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, distribuídos por São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Entre os investigados estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans; Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL; Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente da A2 Transportes e do Esporte Clube Água Santa; e Julio Salvador Filho, diretor da A2 Transportes. Advogados, empresários e outras pessoas também são citados como alvos de medidas cautelares por suspeita de integrar ou colaborar com o esquema.









