Disponível na Netflix e no Mubi, Dias Perfeitos acompanha a rotina de Hirayama, um homem solitário que trabalha limpando banheiros públicos em Tóquio. Dirigido por Wim Wenders, o filme foi lançado em 2023 e constrói sua narrativa a partir de hábitos simples, silêncios e situações do cotidiano.
A produção recebeu o troféu de Melhor Ator no Festival de Cinema de Cannes pela atuação de Koji Yakusho. Também foi indicada ao Oscar de Melhor Filme Internacional e registra 96% de aprovação da crítica e 93% do público no Rotten Tomatoes.
A rotina de Hirayama
Os dias do protagonista seguem uma estrutura definida. Ele escuta fitas cassete, lê livros usados durante a noite e usa uma câmera analógica para fotografar a natureza. Em casa, vive com poucos móveis e cuida de pequenas plantas resgatadas do centro movimentado da cidade.
Comer ramen, ouvir sua coleção de fitas antigas e observar árvores estão entre as atividades que dão significado à vida de Hirayama. O personagem não demonstra uma busca constante por prestígio ou bens materiais e parece confortável com aquilo que considera importante.
Essa estabilidade começa a mudar quando pessoas de seu passado reaparecem. Antigos conhecidos e familiares passam a fazer parte de seus dias, levando o protagonista a lidar com sentimentos que estavam adormecidos.
Silêncios e emoções
Wenders e o co-roteirista Takuma Takasaki desenvolvem a história sem recorrer a grandes explicações ou excessos melodramáticos. A trajetória de Hirayama é revelada gradualmente por meio de gestos, olhares e situações cotidianas.
A atuação de Yakusho tem papel central nesse processo. Embora fale pouco, o protagonista expressa suas emoções por meio de movimentos e pequenas mudanças de comportamento. A serenidade presente na rotina não elimina irritação, frustração ou tristeza diante de situações desconfortáveis e lembranças difíceis.
O trabalho de limpeza dos banheiros públicos também não é apresentado como uma experiência idealizada. O filme mostra que o equilíbrio encontrado por Hirayama não significa satisfação completa com todas as escolhas feitas ao longo da vida.
Com fotografia de Franz Lustig, a produção observa Tóquio, os espaços de trabalho, as plantas, as fitas e os momentos de solidão sem transformar cada cena em um grande acontecimento. A realização do filme ocorreu em apenas 17 dias.
Em vez de depender de reviravoltas constantes, Dias Perfeitos concentra sua força nas relações, nos personagens e em experiências aparentemente banais. A passagem do tempo, a leitura, a música, a fotografia e as conversas ganham novos significados à medida que o passado interfere na rotina do protagonista.








