O empresário Delcir Sonda doou R$ 20 milhões ao Internacional na última semana para ajudar o clube a quitar salários atrasados dos jogadores. O aporte ocorreu antes da partida contra a Chapecoense, em um momento de crise financeira e de risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
O Inter vinha de dez jogos sem vencer na competição e estava na zona de rebaixamento. Sonda afirmou que decidiu colaborar porque uma queda para a Série B poderia reduzir as receitas do clube em mais de R$ 100 milhões. “Eu sou apaixonado pelo Inter e precisava ajudar”, declarou.
Vitória e permanência no Z-4
O valor foi liberado na véspera do confronto disputado na Arena Condá. O empresário temia que um novo resultado negativo deixasse o time ainda mais perto da segunda divisão. Em campo, porém, o Inter venceu por 2 a 1, encerrou o jejum e ganhou fôlego na tentativa de escapar do rebaixamento.
Mesmo com a vitória, o Colorado continuou no Z-4 e ainda terá 11 partidas para buscar a permanência. Sonda avaliou que o nível técnico da equipe é baixo e também direcionou críticas ao trabalho do presidente Alessandro Barcellos.
Para o empresário, os seis anos da gestão agravaram os problemas financeiros e esportivos do clube. A dívida do Inter, segundo ele, está próxima de R$ 1 bilhão. Sonda também questionou a aproximação de Barcellos com Elusmar Maggi durante o último processo eleitoral e afirmou que não houve a participação esperada do empresário do agronegócio no segundo mandato.
Preocupação com as categorias de base
O trabalho de formação de jogadores é outra fonte de insatisfação. O Inter caiu para a Série B do Campeonato Brasileiro Sub-20 no ano passado, não conseguiu o acesso nesta temporada e foi eliminado na primeira fase da Copa do Brasil da categoria para o Barra-SC.
No elenco profissional, poucos atletas formados no clube têm espaço com Paulo Pezzolano. Sonda considera que a dificuldade para revelar jogadores reduz a capacidade de negociação do Inter. Ele citou o Palmeiras como exemplo de clube que cresceu com a venda de jovens ao exterior e afirmou que qualquer atleta pode ser vendido por, pelo menos, R$ 50 milhões.
Apesar da doação, o empresário cobra na Justiça uma dívida de R$ 60 milhões do Internacional, por meio de empresas do grupo que lidera. Ele disse que tentou negociar com a direção antes de recorrer ao Judiciário, mas não recebeu os pagamentos esperados.
Parte das cobranças envolve direitos econômicos de Andrés D’Alessandro. A DIS Esportes tinha participação de 50% nos direitos do meia argentino. Quando o jogador deixou o Inter em 2020, sem custos, para defender o Nacional, do Uruguai, a obrigação financeira permaneceu com o clube gaúcho.
Sonda também participou de negociações envolvendo Kleber, Aránguiz, Nilmar, Anderson e Luque ao longo dos anos.
Apoio político e situação pessoal
Ligado ao grupo político de Fernando Carvalho, Vitorio Piffero, Giovanni Luigi, Marcelo Medeiros e Roberto Melo, Sonda apoiou Melo na eleição de 2023. O candidato foi derrotado por Barcellos e é pré-candidato à próxima eleição presidencial do Inter.
O empresário prometeu colaborar caso Melo vença, mas descartou assumir uma função de linha de frente neste momento. Nos últimos anos, perdeu três irmãos, entre eles Idi, que dividia os negócios da família. Sonda também enfrentou problemas graves de saúde, passou por cirurgia, ficou quatro meses internado e permaneceu 22 dias em coma. Atualmente, está há 60 dias em casa e afirmou que precisa continuar cuidando da saúde.
Ainda assim, declarou que seguirá ajudando o clube. O Inter volta a jogar no próximo sábado, 19, contra o São Paulo, no Morumbis. A equipe permanece na zona de rebaixamento e tenta usar a vitória sobre a Chapecoense como início de uma reação nas rodadas finais do Campeonato Brasileiro.








