SANTO ANDRÉ — Em um amistoso tratado como pouco relevante, Pelé estreou pelo time adulto do Santos e marcou o primeiro dos 1.283 gols de sua carreira. O jogo ocorreu em 7 de setembro, no estádio Américo Guazzeli, no bairro da Vila Alzira, em Santo André. O Santos venceu o Corinthians Futebol Clube, também conhecido como Corinthinha, por 7 a 1.
Aos 15 anos, 10 meses e 15 dias, Edson Arantes do Nascimento entrou no segundo tempo e marcou o sexto gol santista. O amistoso valia o Troféu Independência, em referência à data em que era comemorada a independência do Brasil em relação a Portugal. O estádio onde a partida foi disputada já não existe mais.
Os registros sobre o público e o andamento do confronto apresentam diferenças, mas há concordância de que Pelé participou da etapa final e balançou a rede. Schank, jogador do Corinthinha naquele dia, contou que tentou desarmá-lo no meio-campo, mas foi driblado. O atacante também passou por Zico e Dati antes de tocar na saída do goleiro Zaluar.
O mesário Nelson Cerchiari anotou inicialmente o gol para Raimundinho, outro atleta que entrou no segundo tempo. A correção foi feita 13 anos depois, quando Pelé já estava perto do tricampeonato mundial com a seleção brasileira. Zaluar passou a carregar um cartão de visitas com a inscrição “Zaluar Gol de Rei Pelé 001”.
Naquele período, o jovem também era chamado de Gasolina. Além do talento, chamava atenção pelo comportamento com os jogadores mais velhos e com dona Georgina, responsável pela pensão onde vivia em Santos. Urubatão, companheiro no time dos anos 50, o descreveu como “um menino extremamente educado, incapaz de responder mal para qualquer pessoa”.
Hélvio e Vasconcelos costumavam pedir ao garoto que comprasse cigarros. Enquanto cumpria essas tarefas, Pelé trabalhava para melhorar o chute com a perna esquerda. Pepe lembrou que, quando chegou, ele chutava mal com o pé esquerdo, mas treinou até alcançar o mesmo nível que tinha com a direita.
A escalação do adolescente só foi possível porque o jogo contra o Corinthians de Santo André não era considerado importante. Em 1957, porém, Pelé se tornou peça importante do Santos e chegou à seleção. Em 1958, já era chamado de rei.
Ruy Castro afirmou que o reconhecimento precoce veio depois de uma vitória do Santos por 5 a 3 sobre o America, do Rio de Janeiro. Antes da Copa de 1958, Nelson Rodrigues escreveu que Pelé se sentia rei. A consagração internacional viria após o triunfo do Brasil no Mundial, em texto da revista francesa Paris Match.









