William Batista participou da reformulação do sub-20 do Corinthians, em um processo que envolveu a saída de mais de 40 jogadores e a reconstrução do elenco. Aos 33 anos, o treinador afirmou que a principal dificuldade foi alterar estruturas que não eram modificadas havia algum tempo.
O Corinthians sub-20 conta atualmente com 23 jogadores. A reorganização fez parte de um processo iniciado em junho de 2025, quando a diretoria passou a dispensar atletas de diferentes categorias da base. Ao todo, 216 jogadores deixaram o clube durante o período, muitos deles contratados na gestão do ex-presidente Augusto Melo.
“Para jogar no Corinthians, tem que ser os top do país”, afirmou William. O técnico também disse que não deseja prejudicar os atletas dispensados e que as decisões foram tomadas com o objetivo de manter coerência com o tamanho do clube.
Do Brasfoot à gestão de um elenco
Antes de se tornar treinador, William tentou seguir carreira como jogador na Europa. Durante a passagem pelo Rio Ave, em Portugal, sofreu lesões e não conseguiu evoluir como esperava. No alojamento do clube, passou a organizar torneios de Brasfoot com companheiros brasileiros e portugueses.
O jogo, lançado em 2003, permite contratar, vender e negociar atletas, além de montar equipes com jogadores jovens e experientes. William afirmou que essa dinâmica influenciou sua forma de pensar a montagem de elencos e despertou o interesse pela função de treinador.
A transição para a nova carreira também exigiu outros trabalhos. Antes de chegar a clubes maiores, ele passou pelo sub-15 do Atibaia e trabalhou como motorista de aplicativo para pagar a faculdade de Educação Física. Em 2017, fazia jornadas de 12 horas, entre 16h e 4h.
Depois de um episódio envolvendo bebida alcoólica dentro do carro, decidiu deixar o trabalho e comunicar aos pais que queria ser treinador.
Campanha e integração com o profissional
Na temporada de 2026, o Corinthians caiu na segunda fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior, diante do Guarani, mas alcançou as quartas de final do Brasileirão Sub-20, sua melhor campanha na competição desde 2023. A equipe também avançou ao mata-mata do Paulistão da categoria.
Para William, o trabalho tinha como objetivo recuperar a credibilidade do sub-20. O treinador afirmou que a categoria passou a ser respeitada por adversários e torcida e que a formação de uma linha de sucessão, com atletas subindo do sub-17, evita a necessidade de reconstruir o elenco a cada início de ano.
A comissão do sub-20 mantém contato frequente com o departamento profissional. Participam das conversas Ricardo Drubscky, Erasmo Damiani e integrantes das áreas técnicas. Segundo William, relatórios e protocolos ajudam a avaliar os jogadores com mais informações e reduzem o peso da subjetividade nas decisões.
O técnico também citou a relação com Fernando Diniz. Em 2016, quando trabalhava no Atibaia, acompanhou treinos do treinador em Barueri. Dez anos depois, os dois passaram a trabalhar no mesmo clube.
As categorias de base do Corinthians também voltaram ao Movimento dos Clubes Formadores após o fim do conflito com o Palmeiras. O clube havia sido expulso do grupo após uma denúncia relacionada ao atleta Pedro Morelli, durante a gestão de Augusto Melo. O Corinthians rescindiu com o jogador em agosto e retornou ao movimento.
William ainda passou por Chapecoense, América, Vasco e Red Bull antes de chegar ao Corinthians. Ele afirmou que a experiência em diferentes estados ajudou a adaptar sua condução do trabalho às características de cada ambiente.








