O Fluminense tem três jogadores com mais de 40 anos entre os titulares: o goleiro Fábio, o zagueiro Thiago Silva e o atacante Hulk. Os três atuam os 90 minutos e são considerados decisivos para a equipe, semifinalista da Libertadores e quarta colocada no Brasileirão.
Fábio completa 46 anos nesta quarta-feira e é o mais experiente do elenco tricolor. Em 2026, tornou-se o jogador mais velho a disputar uma Libertadores e também alcançou a mesma marca na história do Brasileirão. Thiago Silva tem 42 anos, enquanto Hulk completou 40 neste ano.
Fábio: continuidade e poucas lesões
Para Luiz Felipe Sinforoso, gestor de performance de atletas, o histórico de lesões e a permanência prolongada em clubes ajudam a explicar a carreira do goleiro. Segundo ele, a continuidade permite manter o mesmo padrão de treinamento e reduz as dificuldades de adaptação que podem surgir nas trocas de equipe.
Fábio chegou ao Fluminense em 2022 cercado por dúvidas relacionadas à idade. André Carvalho, preparador de goleiros do clube, contou que inicialmente ficou preocupado com a contratação, mas mudou de avaliação depois de acompanhar o atleta durante a primeira semana de trabalho. Carvalho afirmou que o goleiro ainda tinha condições de seguir atuando em alto nível.
A rotina de Fábio, porém, não segue todas as recomendações habituais para atletas de alto rendimento. Ele treina alguns dias em jejum, dorme cerca de quatro horas por dia, consome energético e não costuma fazer fisioterapia. O preparador resumiu a rotina do goleiro como “treino de campo e gelinho”.
Thiago Silva controla a carga
Thiago Silva é o capitão do Fluminense e se destaca pela experiência acumulada em diferentes escolas do futebol e em quatro Copas do Mundo. Embora não tenha mais a mesma vitalidade de antes, usa a leitura de jogo para compensar parte da perda física.
O zagueiro convive com dores frequentes no joelho e utiliza analgésicos para controlá-las. Por causa do problema crônico e do cansaço, não participa de todas as partidas. A comissão técnica define quais jogos são prioritários para preservá-lo.
O controle de carga também aparece nos números de 2026: Thiago Silva disputou 22 jogos, sendo oito pelo Fluminense e 14 pelo Porto, seu último clube. Ele é o terceiro jogador mais velho a defender a seleção brasileira, atrás de Djalma Santos e Daniel Alves.
O defensor também investiu na própria recuperação. Quando as câmaras hiperbáricas passaram a ser utilizadas por atletas de futebol, gastou 25 mil dólares (R$ 130 mil na conversão atual) para instalar uma em casa. Em entrevista à France Football, em dezembro de 2025, relatou que mantinha chefe de cozinha, equipamentos de recuperação e cuidados específicos com o sono.
Hulk combina genética e rotina
Hulk vive um bom momento desde que chegou ao Fluminense após deixar o Atlético-MG. Em 15 jogos, marcou sete gols e deu quatro assistências. O atacante conta com uma equipe multidisciplinar, pratica tênis e corre ao lado da esposa. No último fim de semana, completou uma prova de 10 quilômetros em Belo Horizonte, promovida por ele e chamada Hulk Run.
A avaliação dos profissionais é que a necessidade de controle de carga de Hulk é menor do que a de Thiago Silva. As respostas físicas variam de jogador para jogador, e o que funciona para um atleta não necessariamente produz o mesmo efeito em outro.
O atacante atribui parte de sua condição física à genética e à atividade realizada na adolescência. Ele começou no futsal e trabalhou com os pais, carregando peso. Hulk também relaciona esse período ao desenvolvimento de força e à chamada memória muscular. “A feira foi minha academia quando criança”, afirmou.
Não há uma fórmula única para explicar a longevidade do trio. Histórico de lesões, genética, disciplina, rotina de treinos, recuperação e investimentos individuais pesam de maneira diferente para Fábio, Thiago Silva e Hulk. Os três chegaram à casa dos 40 anos ainda competitivos no Fluminense.








