COMO — Sete anos depois de disputar a quarta divisão italiana, o Como estreia na Liga dos Campeões 2026/27 nesta quinta-feira, contra o RB Leipzig, no Stadio Giuseppe Sinigaglia. O clube nunca foi campeão da Serie A e deixou para trás Milan e Juventus em sua trajetória recente.
Em 2019, o Como estava quebrado e na quarta divisão. O retorno à Serie A ocorreu em 2024 e, dois anos depois, veio a classificação para a Champions. Na atual temporada, a equipe ocupa o quarto lugar do Campeonato Italiano, com sete pontos. Em três rodadas, empatou com a Udinese e venceu Napoli e Genoa.
O clube investiu quase 130 milhões de euros, equivalentes a R$ 771,5 milhões, na última janela de transferências, conforme dados da Gazzetta dello Sport. Na preparação, disputou sete amistosos, incluindo um contra o Arsenal e dois contra o Liverpool. Ao somar partidas oficiais e não oficiais, sofreu uma derrota em 10 jogos.
Fàbregas concentra decisões esportivas
Cesc Fàbregas inicia a quarta temporada como técnico do time principal. Ele assumiu o comando de forma interina em novembro de 2023, foi efetivado em julho de 2024 e passou a ser tratado como um dos pilares do projeto. O contrato vai até junho de 2028.
Além das decisões táticas, Fàbregas participa do processo de contratações com o mesmo peso dos demais integrantes do Conselho de Futebol, formado por seis pessoas. O presidente Mirwan Suwarso o descreve como “Football CEO”. O espanhol também é acionista minoritário do clube.
O elenco reúne jovens e jogadores experientes, como o goleiro Robert Sánchez, o zagueiro Chalobah, ex-Chelsea, os brasileiros Kaiki Bruno e Yan Couto, o atacante Moise Kean e o meia argentino Nico Paz. Para manter Nico Paz, o Como pagou 60 milhões de euros ao Real Madrid. O grupo também conta com Diao, Jesús Rodríguez e Baturina, em um modelo que busca desenvolver atletas valorizáveis no mercado.
Projeto combina futebol e mercado de luxo
O Como pertence ao grupo Djarum desde 2019. O conglomerado da Indonésia é controlado pela família Hartono, e Suwarso recebeu de Robert e Michael Hartono a missão de gerir o projeto. A ideia inicial era usar o clube como cenário para documentários sobre futebol destinados à televisão da Indonésia. Depois, a estratégia passou a mirar uma marca global de estilo de vida luxuoso.
O clube vende roupas para corrida de carro, passeio em barco, trilha e alta costura, além de manter parcerias com Brioni, Rhude, Hublot e Adidas. Também oferece passeios pelo Lago Como: o pacote clássico de três noites custa 3.560 euros, ou R$ 21 mil.
A estrutura esportiva tem Barend Verkerk à frente do recrutamento, com um analista de dados, seis scouts, três analistas táticos e dois psicólogos esportivos. O uso de dados também é aplicado para identificar problemas de desempenho.
Estádio impõe limite ao crescimento
Na fase de liga da Champions, depois do RB Leipzig, o Como enfrentará Feyenoord, Manchester United, Lens, AEK Atenas, Betis, PSG e Barcelona. A equipe, porém, ainda busca um elenco capaz de disputar simultaneamente a Liga dos Campeões, o Campeonato Italiano e a Copa da Itália.
O Giuseppe Sinigaglia passou por reformas para atender às exigências da Uefa, com reconstrução de parte da arquibancada, novo sistema de iluminação e ampliação do gramado. A capacidade atual é de cerca de 12 mil torcedores, e novos assentos devem ser instalados no ano que vem.
A limitação do estádio reduz as receitas de dias de jogo em comparação com outros clubes italianos. Ainda assim, ao final da temporada 2025/26, o Como dobrou a receita de bilheteria e aumentou o merchandising em 300%. A direção trabalha com a perspectiva de superávit nas duas próximas temporadas e afirma que os produtos não podem ter preços exorbitantes para os moradores da região.








