Joinville, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Futebol

AFA barra seleções de base para jovens que deixam a Argentina antes do contrato profissional

Norma aprovada pelos clubes argentinos busca desestimular saídas precoces e proteger o investimento na formação de jogadores.

AFA barra seleções de base para jovens que deixam a Argentina antes do contrato profissional
Foto: Reuters

A Associação de Futebol da Argentina (AFA) decidiu não convocar para as seleções de base jogadores que deixarem o país antes de assinar o primeiro contrato profissional com o clube formador. A medida se aplica aos atletas que utilizarem o mecanismo conhecido como “patria potestad” para se transferir ao exterior.

O conceito está ligado à autoridade parental e permite que pais ou responsáveis decidam pela saída de menores de idade em determinadas situações. No futebol, o recurso pode ser usado quando o jogador ainda não tem vínculo profissional com o clube de origem, desde que sejam cumpridas exigências previstas no artigo 19 do Regulamento sobre o Estatuto e a Transferência de Jogadores da Fifa.

Uma mudança familiar, a transferência profissional de um dos pais, uma necessidade médica ou uma proposta esportiva e financeira considerada superior podem motivar a saída. Lionel Messi deixou o Newell's Old Boys aos 13 anos e passou a integrar as categorias de base do Barcelona. A situação do craque, porém, não é igual à dos casos que levaram à nova política da AFA.

Debate jurídico e proteção aos clubes

A decisão foi aprovada pelos clubes da Liga Profesional da Argentina, a primeira divisão do país. A justificativa apresentada dentro da federação envolve a organização da formação de atletas, o desestímulo às saídas precoces e a defesa dos clubes que investem no desenvolvimento dos jogadores.

O caso que impulsionou a norma envolveu Luca Scarlato, meia do River Plate que deixou o clube em janeiro e foi para o Parma, da Itália, aos 16 anos. Familiares afirmaram que o jogador atuava lesionado, recebia uma oferta salarial baixa e não tinha garantia de promoção ao elenco principal. Dirigentes do River, por outro lado, acusaram o representante Martín Guastadisegno de forçar a transferência.

O River Plate levou o caso à Fifa por entender que o atleta havia saído sem compensação financeira. Em fevereiro, o clube informou ter chegado a um acordo com o Parma para receber algum benefício econômico em uma eventual venda.

Para o advogado Marcelo Bee Sellares, a AFA tem liberdade para definir a elegibilidade de jogadores nas seleções. “Não é uma sanção disciplinar. Também não é uma sanção esportiva”, afirmou. Já o advogado Daniel Crespo avaliou que um atleta menor de idade pode recorrer à Justiça para tentar suspender a medida.

Os clubes argumentam que os investimentos na formação esportiva e pessoal dos jogadores não são compensados quando a saída ocorre por meio do “patria potestad”. O mecanismo de solidariedade da Fifa e os direitos de formação podem garantir valores em transferências futuras, mas costumam ficar abaixo da expectativa criada pelo potencial do atleta.

Efeitos possíveis

A norma pode aumentar o poder de negociação dos clubes com familiares e representantes e antecipar a assinatura do primeiro contrato profissional. Ao mesmo tempo, jogadores e famílias podem considerar a perda de convocações antes de aceitar propostas de equipes estrangeiras.

Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, afirmou que os atletas tendem a priorizar o que considerarem mais benéfico para suas famílias. Na avaliação do pesquisador e sociólogo Pablo Alabarces, da Universidad de Buenos Aires, o dinheiro pesa mais do que a fidelidade ao clube formador ou a possibilidade de defender a seleção.

Também existe a possibilidade de as transferências para clubes europeus ficarem mais caras, caso os jogadores peçam uma compensação por abrir mão das convocações. A Argentina ainda pode perder atletas que, no futuro, se tornem importantes no futebol internacional.

Marcelo Bee Sellares considerou justificáveis as saídas motivadas por tratamento médico ou mudança dos pais, mas questionou os casos provocados apenas por razões esportivas. A discussão permanece concentrada no equilíbrio entre a proteção dos clubes formadores, os direitos das famílias e as escolhas profissionais dos jovens jogadores.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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