A proibição das apostas de quota fixa no Brasil muda o cenário de patrocínios do futebol e atinge 14 dos 20 clubes da Série A, que têm casas de apostas como patrocinadoras principais. Os contratos podem ser encerrados ou renegociados após a interrupção das operações das plataformas.
Em 2025, os principais clubes brasileiros movimentaram cerca de R$ 3,2 bilhões em receitas de marketing. Aproximadamente 34% desse total, equivalente a R$ 1,1 bilhão, veio de empresas de apostas, conforme dados da Sports Value. Considerando as receitas comerciais e de marketing estimadas em R$ 3,069 bilhões pela consultoria Convocados, os acordos com bets representaram cerca de 33%.
Os maiores contratos
O Flamengo tem o maior acordo informado, de R$ 268,5 milhões com a Betano. Na sequência aparecem Corinthians, com R$ 150 milhões da Esportes da Sorte; São Paulo, com R$ 113 milhões da Superbet; e Palmeiras, com R$ 100 milhões da Sportingbet.
Também foram informados contratos de R$ 62 milhões entre Atlético-MG e H2Bet; R$ 55 milhões entre Botafogo e VBet; R$ 52 milhões entre Fluminense e Superbet; e R$ 50 milhões entre Vasco e Sportingbet.
Grêmio e Pitaco têm acordo de R$ 46 milhões. O Cruzeiro recebe R$ 40 milhões da Betnacional, enquanto Santos e Novibet têm contrato de R$ 35 milhões. Vitória e 7KBet aparecem com R$ 20 milhões, e Remo e VaideBet, com R$ 12 milhões. No caso da Chapecoense, o valor do vínculo com a ZeroUm não foi divulgado oficialmente.
Na Série B, 13 dos 20 clubes têm vínculos comerciais com empresas de apostas. Em 11 casos, os acordos são de patrocínio principal.
Efeitos da medida
A medida também alcança os naming rights de competições. O Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil têm atualmente seus nomes comerciais vinculados à Betano.
Em comunicado divulgado em setembro, clubes afirmaram que as receitas dos contratos são usadas para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos.
A medida provisória passou a ter força de lei após a publicação. O texto proíbe novas concessões, permissões e autorizações para a exploração das apostas de quota fixa. Os operadores deverão tornar indisponíveis seus sites e aplicativos 10 dias após a publicação da MP, e a entrada de novos recursos nas contas dos apostadores também foi proibida a partir da publicação.
A MP ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. A aprovação parlamentar é necessária para que a proibição se torne legislação permanente.
Devolução de saldos e posição do setor
Quem já tem dinheiro nas plataformas poderá solicitar a devolução dos valores até 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, os sites serão bloqueados, enquanto os saldos não resgatados seguirão um procedimento específico de devolução, conforme informações divulgadas pelo governo.
Antes da medida, as empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda pagaram R$ 30 milhões de outorga para operar e passaram a seguir regras específicas. O setor também recolhia tributos, e os apostadores pagavam imposto sobre determinados prêmios.
Sportingbet, Betano, Betnacional e Superbet, além de entidades ligadas ao mercado, afirmaram que uma proibição total pode ampliar a participação do mercado ilegal. As empresas defenderam que o ambiente regulado permite mecanismos de controle que não existem da mesma maneira em plataformas clandestinas. O setor também estima impactos sobre a arrecadação e atividades econômicas relacionadas às apostas.








