O cientista político Francisco Fonseca defendeu uma restrição gradual às bets, começando pela proibição da publicidade e avançando até o fechamento desse tipo de jogo. Professor de Ciência Política na PUC-SP e na FGV-SP, ele afirmou que as apostas estão relacionadas ao endividamento das pessoas e à redução do poder de consumo, mesmo diante de indicadores econômicos positivos.
Fonseca classificou as bets como “uma doença permitida pelos governos Temer e Bolsonaro”, mas ponderou que uma proibição imediata poderia provocar impactos drásticos. Na avaliação dele, a decisão precisa considerar a dependência dos clubes de futebol em relação às casas de aposta e a arrecadação do governo.
O advogado e cientista político Jorge Folena apoiou a decisão de Lula de enfrentar o tema. Para ele, a medida atinge um problema que tem provocado prejuízos às famílias e à economia. Folena ressaltou que as mulheres estão entre as pessoas mais afetadas, em um cenário no qual elas representam 53% do eleitorado.
Fonseca relacionou o tema à participação feminina nas políticas sociais e afirmou que “90% da titularidade do Bolsa Família é das mulheres”. Na avaliação dele, esse grupo teria interesse em medidas contra as bets e poderia influenciar as eleições.
Debate eleitoral
Na reta final da campanha, Fonseca também defendeu uma estratégia voltada aos eleitores que não se alinham nem a Lula nem a Bolsonaro. Ele avaliou que essa parcela deveria ser informada sobre os efeitos sociais das apostas e sobre os projetos políticos em disputa.
O professor afirmou que Lula deveria apresentar a possibilidade de uma vitória da direita como risco de avanço autoritário. Também citou a proximidade de Flávio Bolsonaro com Donald Trump e disse que o governo do presidente estadunidense estaria tentando interferir no processo eleitoral brasileiro.
Fonseca descreveu a disputa como um confronto entre um projeto de democracia política, social e soberania e outro de destruição da soberania, da democracia e dos projetos sociais. Ao tratar da composição do Congresso, avaliou que seria ideal elevar para aproximadamente 220 o número de deputados federais e alertou para a possibilidade de o Senado ficar sob controle da extrema direita.
Sobre o segundo turno, o cientista político afirmou que há uma nova mobilização de campanha, com novos apoios e fatos políticos, mas considerou a influência do cenário externo, especialmente do governo Trump, o ponto mais preocupante.








