Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

PF investiga repasse de R$ 199 mil de Flávio Bolsonaro a ONG ligada aos Brazão

Emenda foi transferida ao Ifop um mês após contato de assessor de Domingos Brazão com o gabinete do senador.

PF apura emenda de Flávio Bolsonaro para ONG suspeita de esquema comandado pelos irmãos Brazão, condenados pela morte de Marielle Franco

A Polícia Federal investiga o repasse de R$ 199 mil feito por meio de uma emenda parlamentar de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), ONG suspeita de integrar um esquema de desvio de verbas públicas atribuído aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão.

A transferência ocorreu em 29 de novembro de 2023, um pouco mais de um mês depois de Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, procurar o gabinete do senador. Policial militar da reserva, ele trabalhava como assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e foi condenado por organização criminosa pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Chiquinho e Domingos Brazão também foram condenados pelas mortes.

A PF encontrou mensagens trocadas entre Peixe e uma assessora de Flávio Bolsonaro em 24 de outubro de 2023. O dinheiro foi destinado ao Ifop, fundado em 2008 e localizado na Taquara, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, área considerada reduto eleitoral dos Brazão.

A quebra do sigilo telefônico de Peixe apontou que a captação de recursos públicos por meio de organizações não governamentais movimentou pelo menos R$ 268 milhões entre 2020 e 2024, com emendas de diversos parlamentares.

Em 6 de novembro de 2024, após a prisão dos irmãos Brazão, Peixe voltou a procurar a assessora do senador. Ele pediu novos recursos para que “o projeto não termine”, mas não foram identificados outros repasses.

A relação do Ifop com o grupo político dos Brazão também aparece em 2023, quando a Câmara Municipal do Rio concedeu à entidade o título de utilidade pública pelas mãos do então vereador Waldir Brazão (União). Em agosto de 2024, a organização recebeu ainda uma emenda de R$ 1,5 milhão de Chiquinho Brazão, que ocupava o cargo de deputado federal antes de ser cassado.

Flávio Bolsonaro afirmou, em nota, que a emenda tinha como objetivo apoiar um projeto esportivo para crianças vulneráveis e que “não é papel do parlamentar auditar como as emendas são utilizadas por terceiros”. A direção do Ifop negou ligação formal ou informal com Peixe ou com a família Brazão. A entidade declarou que usou os recursos em aulas de futebol, prestou contas ao Ministério do Esporte e devolveu saldos excedentes.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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