BRASÍLIA — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta terça-feira (19/5) que se encontrou com o banqueiro Daniel Vorcaro depois da primeira prisão dele, em novembro de 2025. O encontro ocorreu quando Vorcaro usava monitoramento eletrônico e estava impedido de sair de São Paulo, segundo o senador.
Flávio afirmou que procurou o banqueiro para encerrar as conversas sobre o financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. "Fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história", disse a jornalistas na saída de uma reunião com a bancada do PL, em Brasília.
O senador declarou que, caso soubesse antes da gravidade da situação envolvendo Vorcaro, teria buscado outro investidor. A confirmação ocorreu após a divulgação de um áudio no qual Flávio pede ao banqueiro uma posição sobre repasses destinados ao projeto.
Financiamento do filme
A negociação veio a público em 13 de maio. O repasse total previsto seria de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época, dos quais R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025.
Em uma mensagem enviada um dia antes da primeira prisão de Vorcaro, Flávio chamou o banqueiro de “irmã” e escreveu: “Estou e estarei contigo sempre”. Inicialmente, o senador negou a existência do contato. Depois, admitiu a negociação e afirmou que não houve irregularidade nem uso de dinheiro público.
Em nota, Flávio disse que buscava patrocínio privado para um filme sobre o próprio pai e que não ofereceu vantagens em troca do financiamento. Também defendeu a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar as suspeitas relacionadas ao Banco Master.
Prisões e investigação
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, em uma etapa da Operação Compliance Zero. Investigado por crimes contra o sistema financeiro nacional, ele foi solto em 28 de novembro, após decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Em 4 de março, o banqueiro foi preso novamente em outra fase da operação. Ele passou por diferentes presídios antes de ser transferido para a carceragem da Polícia Federal, em Brasília, onde aguarda negociações sobre um possível acordo de colaboração premiada.
Após a divulgação do áudio, Flávio afirmou que eventuais novos registros de contatos com Vorcaro também estariam relacionados ao filme. O senador havia associado as investigações sobre o Banco Master ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à esquerda, além de negar anteriormente conexões entre o banqueiro e sua família ou o campo político da direita.
A relação entre Flávio e Vorcaro também ocorreu em meio a mudanças nas declarações de Eduardo Bolsonaro sobre a administração financeira do filme. Eduardo afirmou inicialmente que não participava da gestão do projeto, mas depois disse ter assinado um contrato com a produtora e usado R$ 350 mil, convertidos em cerca de US$ 50 mil, para garantir a participação de um diretor de Hollywood.









