Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Caso Vorcaro amplia pressão sobre imagem moderada de Flávio Bolsonaro

Pré-candidato tenta atrair eleitores além do bolsonarismo, mas enfrenta questionamentos sobre Vorcaro, rachadinha e vínculos com milicianos.

Vorcaro, rachadinha e milícia: os fantasmas que rondam a campanha 'moderada' de Flávio Bolsonaro

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência passou a enfrentar novas cobranças após a divulgação de conversas do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento de um filme em homenagem a Jair Bolsonaro. O episódio se soma a antigas acusações de rachadinha e a questionamentos sobre vínculos com milicianos, temas que podem dificultar a estratégia de apresentar Flávio como uma alternativa moderada ao pai.

Vorcaro está preso e negocia um acordo de delação premiada com potencial para atingir altas autoridades. Segundo o Intercept Brasil, o banqueiro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a produção do filme no ano passado. O acordo de financiamento chegaria a R$ 134 milhões, e Flávio teria cobrado a liberação dos valores restantes.

O senador nega ilegalidades. Em nota, afirmou: "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem".

Para Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, o caso prejudica o esforço de reduzir a rejeição associada ao sobrenome Bolsonaro e a acusações de corrupção. Flávio tenta se apresentar como alguém experiente, vacinado e diferente do pai, embora não tenha experiência de gestão, segundo a avaliação do analista.

A estratégia de moderação

A campanha vem usando as redes sociais para destacar diferenças entre Flávio e Jair Bolsonaro. Em um vídeo publicado em abril, Fernanda, esposa do senador, disse que ele era um Bolsonaro moderado e afirmou ter contribuído para essa mudança. No mesmo conteúdo, Flávio se definiu como o Bolsonaro que tomou vacina.

A mensagem procura preservar o eleitorado do pai e, ao mesmo tempo, alcançar pessoas que rejeitam o estilo e as posições mais extremas do ex-presidente. O senador também divulgou, em fevereiro, um vídeo sobre a importância do Carnaval para a economia. No Dia da Mulher, em 8 de março, publicou conteúdos sobre feminicídios, falta de creches e figuras históricas da luta pelos direitos das mulheres, como Berta Lutz, Antonieta de Barros e Maria da Penha.

A senadora Damares Alves avalia que Flávio não tenta ser uma versão moderada do pai, mas que essa característica já faria parte de seu perfil. Ela atribui a subida nas pesquisas ao antipetismo de parte do eleitorado e à frustração com o desempenho econômico do governo Lula.

Na oposição, porém, a estratégia é contestada. Um vídeo divulgado pelo deputado Lindbergh Farias chama Flávio de extrema-direita e cita declarações do senador sobre a possibilidade de uso da força para garantir anistia ou indulto a Jair Bolsonaro, caso o Supremo Tribunal Federal considere a medida inconstitucional. A gravação também menciona um pedido para que os Estados Unidos bombardeassem navios na costa brasileira.

Pesquisas e rejeição

Flávio foi escolhido pelo pai para disputar a Presidência pelo PL em dezembro e subiu rapidamente nas intenções de voto. No segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva, os dois aparecem empatados em um eventual cenário, de acordo com o agregador de pesquisas citado no levantamento.

Entre dezembro e maio, Flávio ganhou nove pontos percentuais entre eleitores de 16 a 34 anos, chegando a 45%, contra 38% de Lula. Na faixa de renda entre 2 e 5 salários-mínimos, avançou seis pontos e alcançou 44%, ante 40% do atual presidente. Entre as mulheres, passou de 31% para 36%, ainda atrás de Lula, que marcava 45% em maio.

Uma pesquisa da AtlasIntel realizada em março indicou que a resistência ao senador se concentra entre eleitores que não querem um governo semelhante ao de Jair Bolsonaro e entre aqueles que o consideram envolvido ou conivente com corrupção. Sanches estima que uma parcela de 10% a 12% do eleitorado ainda não esteja alinhada automaticamente com nenhum dos polos da disputa.

Acusações no Rio de Janeiro

Flávio foi deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro por 16 anos, de 2003 a 2018. Nesse período, surgiram suspeitas de desvio de verba parlamentar, compra de imóveis com dinheiro vivo e manutenção de servidores fantasmas no gabinete.

O caso veio a público no final de 2018, depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificou movimentações milionárias na conta de Fabrício Queiroz, chefe de gabinete do senador. Em 2020, o Ministério Público acusou Queiroz de operar um esquema que recolhia parte dos salários dos funcionários em benefício do parlamentar.

Segundo a denúncia, 12 funcionários fantasmas receberam R$ 6,1 milhões em valores da época. Ao menos R$ 2 milhões teriam ido para a conta de Queiroz, enquanto outros R$ 2 milhões foram disponibilizados à organização criminosa por meio de saques em espécie. Também foram identificados 169 boletos pagos em dinheiro vivo, referentes à escola das filhas de Flávio e ao plano de saúde da família, entre 2013 e 2018, no total de R$ 247 mil.

Flávio nega as acusações e afirma que os recursos eram usados por Queiroz para contratar informalmente pessoas que ajudavam na atividade parlamentar. O senador também diz que as denúncias foram uma forma de perseguição política contra sua família.

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Flávio em 2019 por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. O processo foi paralisado após decisões judiciais sobre o foro privilegiado e a validade das provas. Em fevereiro de 2025, o ministro Gilmar Mendes rejeitou um recurso que pedia a reabertura da investigação, e o caso foi encerrado, conforme informou o Ministério Público.

Flávio também é questionado por homenagens feitas a policiais militares, entre eles Adriano da Nóbrega, em 2003 e 2005. A mãe e a então esposa de Adriano trabalharam no gabinete do senador até 2018. Flávio afirma que não conhecia as atividades criminosas atribuídas ao policial e nega ter defendido milícias.

A disputa eleitoral, portanto, combina a tentativa de ampliar a imagem de Flávio para além do eleitorado bolsonarista com a necessidade de responder a acusações antigas e ao novo episódio envolvendo Vorcaro.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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