Carlos Bolsonaro abriu uma nova frente de tensão na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro ao cobrar que o irmão atribua seu crescimento eleitoral à influência de Jair Bolsonaro. A manifestação também atingiu integrantes do grupo econômico que ganhou espaço na candidatura, especialmente Daniella Marques, conselheira econômica da campanha.
“Flávio precisa entender que seu crescimento e sua eleição se devem ao seu pai”, escreveu Carlos. Em outra parte da mensagem, afirmou que quem tentar levar o candidato para uma direção diferente pode afastá-lo de sua base e deixá-lo dependente depois da eleição. Daniella não foi citada nominalmente, mas interlocutores identificaram a economista como um dos alvos do recado.
Daniella ampliou sua participação na campanha e passou a atuar em atos, transmissões ao vivo, viagens e na elaboração do programa econômico. Setores mais ideológicos do bolsonarismo defendem que ela se limite a uma posição técnica e de bastidor. A avaliação desse grupo é que a economista passou a ocupar espaço político e a dar ordens. Eduardo Bolsonaro também demonstra resistência à atuação dela, conforme pessoas próximas a ele.
Ajuste fiscal divide grupos
A defesa de cortes de gastos é um dos principais pontos de conflito. Flávio Bolsonaro já prometeu um “tesouraço” caso chegue ao Planalto, e Daniella passou a ser associada internamente à proposta. A ala ideológica teme que a prioridade ao ajuste fiscal afaste eleitores dependentes de políticas sociais em um país de renda baixa.
Parte desse grupo também relaciona a política econômica de Paulo Guedes à derrota de Jair Bolsonaro em 2022. Daniella foi uma das principais auxiliares do ex-ministro. Por isso, os críticos defendem que Flávio se comprometa com a continuidade de programas sociais e concentre a campanha em segurança pública, emprego e no legado político do pai.
As divergências já alcançaram outras propostas. Daniella se posicionou contra o fim da escala 6×1 e defendeu maior liberdade para ampliar a jornada de trabalho. Ela também participou da estratégia de aproximação de Flávio com o eleitorado feminino e o mercado financeiro, movimentos recebidos com desconfiança por setores ideológicos da família e da base.
A disputa interna se intensificou no momento em que Flávio melhora seu desempenho nas pesquisas e passa a considerar possível uma vitória. Aliados atribuem a briga por espaço ao avanço nas sondagens. A ala radical, porém, sustenta que a candidatura deve manter a identidade construída em torno de Jair Bolsonaro e de pautas antissistema.








