GOIÂNIA — O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou o que classificou como um enfrentamento político-religioso na reta final da campanha. Após participar de uma missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e Santa Edwiges, em Goiânia, ele defendeu que as disputas eleitorais não sejam levadas para o campo da fé.
A declaração ocorreu durante a repercussão de alegações falsas que associaram Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Flávio negou ter apoiado qualquer medida com esse objetivo.
Caiado afirmou ser católico praticante e devoto de Nossa Senhora das Graças. Para o candidato, o ambiente da campanha passou a ser marcado pela intolerância. Ele disse que todas as religiões devem ser respeitadas e que o Estado precisa garantir a liberdade religiosa, independentemente da crença.
“Eu repudio frontalmente todos aqueles que querem usar de um momento como esse, de qualquer restrição a qualquer opção religiosa que a pessoa tenha”, afirmou. Caiado também disse que o ódio passou a distorcer o equilíbrio da campanha e a convivência entre as pessoas.
O candidato contou que aproveitou a celebração para pedir a redução das tensões. “Pedi muito a Deus para que aliviasse o coração dessas pessoas que estão vivendo este momento de ódio”, disse.
Origem da controvérsia
A discussão ganhou força após uma declaração no programa Em Pauta, da GloboNews, sobre a existência de um movimento de setores evangélicos para mudar a condição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A fala não atribuía a iniciativa a Flávio, mas passou a circular nas redes sociais vinculada ao candidato do PL.
A GloboNews pediu desculpas posteriormente e informou que um projeto com esse objetivo havia sido apresentado em 2007 e arquivado no ano seguinte. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque (IDX), divulgado no sábado, registrou 977,6 mil publicações sobre o assunto em 55 horas, com 8,5 milhões de interações.
No sábado, 26, Caiado já havia comentado o caso nas redes sociais. Sem mencionar Flávio, escreveu que lhe doía ver alguém querer apagar Nossa Senhora Aparecida da história do Brasil e afirmou que ninguém a arrancaria do coração do povo brasileiro.
Críticas ao governo Lula
Na mesma agenda, Caiado classificou como oportunista a decisão do governo Lula de proibir as bets. Ele afirmou ser avesso a jogo e disse que, enquanto governador, não autorizou loteria em Goiás.
Na sexta-feira, 25, Lula assinou uma medida provisória que proíbe as bets no país e anunciou o Desenrola Brasil 3.0. Caiado também criticou o programa nas redes sociais e acusou o presidente de agir no desespero. Ao comentar a reta final da campanha, defendeu uma condução baseada na pacificação e na aglutinação, em vez do antagonismo.








